A internet entrou em polvorosa nesta quarta (24) diante da
precipitada conclusão do delegado Paulo César Jardim, sobre a suástica
desenhada a canivete na barriga de uma estudante de 19 anos. Para o
policial, houve autolesão e automutilação. Entretanto, a defesa da
vítima contesta esta versão.
A jovem relatou em queixa crime, após a eleição no primeiro turno,
que foi atacada por três indivíduos porque usava uma camisa com os
dizeres #EleNão, em referência ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). O
crime teria ocorrido em Porto Alegre.
Próprio direito do Departamento Médico Legal (DML) do Instituto-Geral
de Perícias (IGP), perito médico-legista Luciano Haas, não é conclusivo
embora ele fale em “semelhança” a lesões autoinfligidas.
“A lesão é leve e não penetrou profundamente. Ela foi muito simétrica
e com 23 traços. Ela se assemelha a lesões autoinfligidas”, avaliou.
Para a advogada Gabriela Souza, da Advocacia para Mulheres, que
defende a vítima, houve precipitação a qual pode não representar a
realidade dos fatos.
“O teor do laudo assinado pelos peritos reafirma a convicção da
defesa de que a jovem foi vítima de um ataque, conforme testemunhado por
ela à Polícia Civil. Nota-se que a perícia não descarta a hipótese de
as lesões terem sido causadas por outro indivíduo, inclusive mediante
incapacidade de defesa da vítima. Isto apenas comprova o teor do
depoimento da vítima, que não esboçou reação durante o ataque e sofreu
estresse pós-traumático, situação que se mantém até o momento”, destaca a
defensora por meio de nota oficial.
“O laudo divulgado nesta quarta-feira não representa o fim das
investigações; a defesa da vítima ainda espera que sejam apresentadas
imagens de câmeras de segurança e ouvidos depoimentos de pessoas que
prestaram auxílio à jovem atacada. Qualquer conclusão antes de esgotada a
avaliação de todos os elementos possíveis é precipitada e pode não
representar a realidade dos fatos.
Em respeito à privacidade da vítima, neste momento a defesa não fará
novas manifestações. A defesa confia na apuração verídica dos fatos e
aguarda a conclusão das investigações para a comprovação da verdade dos
fatos”, concluiu o comunicado.
Defesa contesta conclusão de delegado sobre suástica em jovem
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outubro 24, 2018


