Líderes do PSL estão entre os deputados que mais faltaram em fevereiro
0Alaelton Santosmarço 06, 2019
No primeiro mês de sessões da nova legislatura na Câmara, a maioria dos
deputados tem ido a todas ou à maior parte das sessões. Mas há um grupo
que vem se destacando pelas faltas. Três deputados não compareceram a
mais da metade das 11 sessões deliberativas já ocorridas este ano. O
mais ausente foi Josias Gomes (PT-BA), com oito faltas, seguido por
Vinicius Gurgel (PR-AP), com sete. Depois, vem José Airton Cirilo
(PT-CE), com seis. O GLOBO excluiu da conta deputados que justificaram
as faltas exclusivamente por problemas de saúde.
Sete parlamentares aparecem na quarta posição ranking, dois deles
lideranças relevantes do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. O
líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (GO), e o presidente do
PSL, Luciano Bivar (PE), faltaram em cinco sessões deliberativas cada
um. A maioria dos 54 deputados do PSL não faltou a uma única sessão
deliberativa.
O deputado Major Vitor Hugo afirmou que, por ser líder do governo,
muitas vezes compensa mais ficar fora do plenário fazendo articulação
política. E que, pelo posto que ocupa, suas faltas são automaticamente
justificadas. Na agenda de Bolsonaro, há de fato reuniões com o deputado
nos horários das sessões dos dias 14 e 25 de fevereiro.
— O líder do governo tem que fazer muitas articulações no Planalto, nos
ministérios, nas lideranças, o que faz com que a gente fique fora do
plenário. Como as faltas são justificadas, é mais estratégico para mim
ficar articulando do que propriamente votando ou participando da sessão
deliberativa — disse o líder do governo na Câmara.
O GLOBO também telefonou e mandou mensagem para Luciano Bivar para que
ele pudesse se manifestar, mas não houve resposta. Todas as ausências de
Vitor Hugo e Bivar foram justificadas, segundo informações no site da
Câmara, o que o poupará de um desconto no salário. No caso de Bivar, a
justificativa que aparece é "missão autorizada".
Ausência de justificativa
Nem todos os deputados faltosos justificaram suas ausências. Eles
precisam fazer isso em até 30 dias para não ter desconto no salário,
prazo que ainda não terminou. No caso de motivos de saúde, sequer há um
limite de tempo para apresentar a justificativa.
No levantamento, não foi levado em conta o dia 1º de fevereiro, quando
houve uma sessão para a posse dos deputados eleitos em 2018 e outra para
a escolha da nova mesa diretora da Câmara. Somente entraram no cálculo
as 11 sessões deliberativas subsequentes. Josias Gomes, que foi o mais
faltoso, deixou de aparecer nas oito primeiras. Ele somente voltou a
frequentar o plenário na semana passada, quando houve três sessões. Ao
GLOBO, alegou que foi escolhido para ocupar a Secretaria de
Desenvolvimento Rural (SDR) no governo da Bahia e que ainda não se
licenciou porque estava na transição entre os dois cargos.
Vinicius Gurgel atribui as faltas a três motivos: uma virose, uma doença
da mãe e a renovação da carteira de motorista. Gurgel ressalta que em
algumas situações opta por faltar porque considera o que será discutido
improdutivo.
— Às vezes prefiro buscar recursos nos ministérios do que ficar igual
macaco no plenário só discutindo ideologias , parecendo um campo de
guerra — diz.
Em suas ausências, nos dias 25 e 26, o deputado José Airton Cirilo
participou de compromissos políticos no Ceará, de acordo com publicações
em sua conta no Facebook. O GLOBO tentou contato com o deputado, mas
não obteve retorno.