Empatado em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, Ciro Gomes
(PDT) destacou que vai "chorar" e deixar a política caso o adversário
Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito. O ex-governador do Ceará participou de sabatina
do Jornal O Globo, Valor Econômico e revista Época nesta quarta-feira.
- Vou desejar boa sorte a ele, cumprimentá-lo pelo privilégio e depois
vou chorar. Eu saio da política. A minha razão de estar na política é confiar
no povo brasileiro.
Ciro frisou que Bolsonaro representa a "destruição" da nação
brasileira e exemplificou que a política econômica de Paulo Guedes, já
escolhido pelo militar para comandar o ministério da Fazenda se vencer o
pleito, pode quebrar o agronegócio "em 12 meses" e levar ao aumento
da inflação.
Ao falar de sobre um tema caro a Bolsonaro (PSL), Ciro diz que no seu
governo, militar não pode falar de política. Quer as Forças Armadas altivas e
bem-armadas, mas restritas a suas funcionais constitucionais, sob o seu
comando. “Eu mando, eles obedecem". E ainda sobrou para o vice de
Bolsonaro: "um jumento de carga", disse sobre o general Mourão.
Sobre a declaração do Comandante Villas Boas que próximo presidente pode
não ter legitimidade, Ciro foi ainda mais ácido.
- Estaria demitido e provavelmente pegaria uma "cana". Mas
deixa eu explicar, ele está fazendo isso para tentar calar a voz das
"cadelas no cio" que embaixo dele estão se animando com essa
barulheira. Esse lado fascista da sociedade brasileira. Esse general Mourão,
que é um jumento de carga, tem uma entrada no Exército e agora se considera
tutor da nação. Os brasileiros têm que deixar muito claro que quem manda no
país é o povo.
‘Vou desejar boa sorte a ele,
cumprimentá-lo pelo privilégio e depois vou chorar. Eu saio da política’
Sobre a polêmica do registro de candidatura do PT, para Ciro, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu sua percepção da realidade
porque está isolado na prisão e cercado de puxa-sacos. "O Brasil não
agüenta outra Dilma nesse sentido de um pessoa assumir porque é indicada pelo
Lula. Não podemos ter outro presidente por procuração".
- O Lula a gente tem que relativizar, porque ele está isolado. E, agora,
o Lula está com um problema, porque morreram o Márcio Thomaz Bastos
(ex-ministro da Justiça), o Luiz Gushiken (ex-ministro da Comunicação Social),
está sem José Dirceu..., perdeu dona Marisa (Letícia). Hoje o Lula está cercado
de puxa-saco e perdeu um pouco da visão genial que ele tem da realidade. Se ele
estivesse solto, não teria permitido uma série de desatinos que estão sendo
promovidos - disse.
Ciro afirmou que não visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
na prisão, em Curitiba, porque não foi autorizado pela juíza de execuções
penais e, depois, não foi incluído na lista feita pelo ex-presidente.
- Eu não iria por razão política, iria, por razão humanitária - disse
Ciro.
Na sabatina, Ciro diz que pretende mudar as prerrogativas do Banco
Central para que ele persiga uma meta da menor inflação possível e a maior
geração de empregos. Hoje, o BC tem apenas uma meta de inflação como guia da
política monetária.
— O Banco Central terá duplo comando. Para ter a menor inflação e o
maior emprego. E o Banco Central será subordinado a mim — afirmou o candidato,
acrescentando que não vê necessidade de dar autonomia operacional para a
instituição.
Apesar de criticar a políticas econômica adotada pelo governo Michel
Temer, ela disse que o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tem
atuado corretamente à frente da instituição.
Ciro afirmou ainda que fará uma redução de pelo menos 15% das
desonerações fiscais concedidas a vários setores produtivos e que geram uma
renúncia fiscal de aproximadamente R$ 354 bilhões. E, questionado sobre qual
setor, poderá sofrer com essa decisão, apontou que o setor automobilístico é um
deles.
— Qual o sentido de estimular o consumo de automóveis no Brasil com
renúncia fiscal — disse Ciro, acrescentando que as montadoras estão com a
produção parada e o argumento de manutenção de emprego não serve nesse caso.


