STF quer no TSE advogada da Lava Jato que chamou Bolsonaro de agressor
0Alaelton Santosjunho 26, 2019
O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quarta-feira uma lista
tríplice com os advogados indicados para a vaga de ministro substituto
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A candidata com mais votos foi a
criminalista Daniela Teixeira, seguida por Marçal Filho e Carlos Mário
Velloso Filho.
O mais provável é que o presidente Jair Bolsonaro não escolha a primeira
colocada – que é advogada de réus da Lava-Jato. Em setembro 2016,
quando ainda era deputado, Bolsonaro bateu boca com Teixeira em uma
sessão tumultuada na Câmara dos Deputados.
Durante debate sobre violência contra a mulher, a advogada incluiu, em
discurso, o então parlamentar em uma lista de agressores. Ela lembrou
que Bolsonaro respondia a processo no STF por apologia ao estupro.
"Enquanto esses agressores não forem punidos, a violência não vai
diminuir. E eles devem ser punidos. Sejam eles quem for. Seja o marido
da vítima, seja o coronel que está abusando de uma criança de dois anos,
seja o promotor que está abusando de uma vítima durante uma audiência,
ou seja um deputado que é réu sim numa ação já recebida no Supremo
Tribunal Federal", disse Teixeira, que era vice-presidente da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) do Distrito Federal.
"Fala o nome! Fala o nome dele!", gritou Bolsonaro no plenário da Câmara.
"É o senhor, deputado Jair Bolsonaro", respondeu a advogada.
O processo que Teixeira mencionou foi aberto depois que Bolsonaro
declarou que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque
ela não merecia. O relator, ministro Luiz Fux, suspendeu a tramitação do
caso em fevereiro deste ano. De acordo com a Constituição Federal, o
presidente da República, na vigência do mandato, não pode ser
responsabilizado por atos anteriores ao cargo.
De volta a 2016, com dedo em riste, Bolsonaro subiu à Mesa da Casa para
exigir direito de resposta, confrontando Maria do Rosário, que presidia a
sessão. O plenário ficou dividido entre gritos de “Bolsonaro”,
proferidos por apoiadores do então deputado, e “machistas, fascistas”,
por partidários da deputada. Diante da confusão, Maria do Rosário
suspendeu a sessão.
Na retomada, Bolsonaro se defendeu. Disse que o processo foi uma
“armação da senhora Ideli Salvatti, à época à frente da Secretaria de
Direitos Humanos da presidência”, que ingressou com uma queixa-crime
contra ele no STF e depois “fez pressão lá com o Luiz Fux para que se
abrisse um inquérito contra mim”.
Daniela Teixeira deixou a Câmara acompanhada de parlamentares,
assessores e militantes de entidades feministas. Maria do Rosário chegou
a sugerir que ela fosse escoltada pela Polícia Legislativa, mas a
advogada recusou.
Na votação desta quarta-feira no STF, Teixeira obteve dez votos para ser
indicada para o TSE. Marçal Filho obteve nove e Carlos Mário Velloso
Filho, oito. Teixeira é uma criminalista disputada. Entre seus clientes
estão Jacob Barata Filho, empresário do ramo de transportes do Rio de
Janeiro, e João Cláudio Genu, o ex-tesoureiro do PP condenado no
mensalão e na Lava Jato. Pela regra, o presidente da República não é
obrigado a escolher o mais votado da lista.